-Boa noite caros ouvintes! O nosso entrevistado de hoje (crec! – um barulho no estúdio, o que parece ser um móvel sendo arrastado) errr... é o mais conhecido personagem de safadice do Brasil e quiçá do mundo – onde a flexão da língua permite a rima. Habita a Região da Empulhação e divide um quarto com seu primo Hilário(que reclama para si o epíteto).
-Bem vindo! Boa noite. O senhor pode sair aí de trás, por favor.
-Desculpe, é impulso. Boa noite. Obrigado!
-Mas o senhor é um sujeito muito simpático. Conte-nos, pois, como tudo começou.
-Papai e mamãe foram acampar. Fui com o papai e voltei com a mamãe. Os dois
estavam...
-Desculpe interromper, mas não é exatamente isso que queremos saber. Queremos saber como o senhor se tornou essa referência no mundo da empulhação e, por que não também(!?), de ativista sexual.
-Ah! Entendi. Comecei com uma prima minha. No começo era atrás do criado-mudo. É que eu tinha o apelido de “Ludo”. Com o tempo fui evoluindo, logo mais passei pra trás da estante, nessa época eu era conhecido – modestamente – como Galante.
-Ouvi dizer que a sua lista é grande. Que o senhor tem um elenco de deixar o Wolf Maia com água na boca.
-Não costumo citar nomes, por questão de ética, mas peguei desde o humilde e desavisado Gari até Phds em empulhação. Deputados, por exemplo. Mas respeito muito os idosos, as Freiras e a irmã do Toscão - um simpático vizinho meu que tem doze títulos de Caratê, seis de Boxe e adora mastigar latinhas de cerveja pra limpar os dentes.
-Mas enfim, os ouvintes querem saber como o senhor mantém esta boa forma e esta predisposição sempre que é requisitado.
-Na verdade eu não frequento academia, mas me alimento regularmente e, sempre que não sou requisitado, procuro descansar. Mas o que realmente ajuda a manter a forma é minha ferramenta de trabalho. Queimo muitas calorias arrastando-o para lá e para cá.
-Nossas linhas estão abertas. Os ouvintes podem fazer perguntas e indagações ao nosso nobre convidado de hoje.
Nisso toca o telefone. O entrevistador tateia a mesa, mas parece que o som vem de outro local.
-Mas que coisa, jurava que o telefone estava aqui. Um momentinho só. Houve um pequeno problema com a linha, mas logo será restabelecida. Nossos comerciais, por favor.
Mas o telefone não pára de tocar e o entrevistador passa a procurá-lo como se fosse um morcego orientando-se pelo som e descobre o aparelho atrás do móvel que havia sido arrastado no início do programa. O telefone segue tocando. Ele finalmente atende:
- Alô! Boa noite! Pois não. Sim, é ele sim que está falando. Quem? Que Mário?
Parou de súbito, colocou o telefone sobre o peito, como quem carrega um cachorro Pinscher e bradou em off:
-Putz!
Após ficar estático, como fosse uma estátua, por uma fração de segundo, procurou abandonar rapidamente a parte detrás do móvel. Mas aí já era tarde demais...
Mário Olegário
This was 카지노사이트 in recognition of his being the No
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